• Raisa Valentini

Ostarina e doping




A ostarina está na classe dos Moduladores Seletivos de Receptor de Androgênio (SARM, em inglês). Androgênios são os hormônios masculinos, e o uso direto de esteroides anabolizantes como a testosterona tem sido descritos de longa data, e hoje cada vez mais absurdamente prescritos, inclusive para mulheres e para não atletas, com a propaganda de uma milagrosa melhora de composição corporal e libido. Mas os efeitos adversos do abuso de testoterona são significativos, como estímulo para câncer de próstata, risco de lesão hepática e cardíaca, fora os efeitos de virilização em mulheres.

Os SARM foram criados com o objetivo de atingir ganho de massa muscular e performance física sem os efeitos adversos da testosterona, já que tem efeito mais específico no músculo e osso. Porém, eles não foram criados para uso em atletas, e sim para tratamento de sarcopenia, de distrofias musculares ou de caquexia relacionada ao câncer, já que a perda progressiva de massa muscular e capacidade física nesses pacientes pode debilitar ainda mais a resposta imunológica, além de limitar uso de tratamentos mais agressivos para câncer.

Mas, da mesma forma que ocorreu com a testosterona, o uso de SARM como doping não é nada surpreendente. Desde 2008 já entram como substância proibida em agências anti-doping, e no início desse ano foram proibidos no Brasil, devido à ausência de estudos de segurança a longo prazo dessas substâncias (Resolução 791/2021).


Você já tinha ouvido falar dessa substância?

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